CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 2002
Gaúcho barrado denuncia abusos
Árbitro diz que sofreu humilhação ao ser expulso de Londres e confinado numa sala vigiada em Lisboa
Winck Jr. aponta maus-tratos. Caso irá à embaixada da InglaterraO sonho de conhecer Londres tornou-se um pesadelo para o árbitro de futebol gaúcho Jairo dos Santos Winck Júnior. Ele chegou à capital inglesa na manhã de segunda-feira com documentação completa, hospedagem reservada e passagem de volta marcada para 27 de agosto. Todas essas garantias, segundo o juiz, não o livraram de sofrer humilhações e maus-tratos no aeroporto britânico.
'Carimbaram o visto, mas não devolveram meu passaporte e me mandaram esperar. Fiquei esperando oito horas numa cela, sem grades, mas vigiada por policiais', contou. Durante esse período, Winck Júnior permaneceu sem alimentação e foi submetido a três interrogatórios. Além disso, percebeu que entre a primeira e a segunda revista das suas bagagens sumiram 500 dólares que estavam em uma das malas. Segundo ele, após fazerem apenas perguntas evasivas, os policiais concluíram que ele não tinha a 'necessidade' de visitar Londres durante 15 dias e foi convidado a se retirar do país, sendo escoltado até o avião. 'O pior é que havia outros quatro brasileiros comigo, todos com cursos pagos e reserva em casas de família, que não foram liberados', acrescentou.
Quando pensou que o martírio havia terminado, Winck Júnior foi novamente preso em Lisboa, onde o vôo faria uma escala. Levado a uma espécie de apartamento no subsolo do aeroporto, vigiado por câmeras, ele encontrou outros oito brasileiros que lá estavam havia uma semana. 'Disseram que imaginavam que eu era do Brasil, onde se valorizava muito o futebol e não se pagava a dívida externa', relatou. Conseguiu o direito de telefonar e, aconselhado por sua família, ligou para o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, de quem recebeu orientações de como agir. 'No último interrogatório, enrolei-me numa grande bandeira do Brasil que eu levava na minha bolsa e pedi para ir embora', contou, emocionado.
Winck Júnior chegou à Capital no início da madrugada de ontem, decepcionado. 'Só volto a Londres se tiver o carro do primeiro-ministro me esperando', brincou. Krischke disse que denunciará o caso ao Ministério das Relações Exteriores e à embaixada da Inglaterra. Segundo ele, diversas pessoas foram impedidas de entrar no Reino Unido ou deportadas em situações humilhantes.