CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 2002
Argentina promete ao FMI uma queda de 11% no PIB de 2002
Ministro Lavagna elabora carta de intenções para o FundoBuenos Aires - O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, deverá enviar amanhã o esboço da carta de intenções ao Fundo Monetário Internacional (FMI). No esboço, ele promete queda do PIB (soma das riquezas do país) de somente 11% para este ano. O valor estipulado como meta pelo ministro é significativamente inferior à queda de 16% calculada pelos organismos financeiros internacionais e também por grande parte dos analistas em Buenos Aires. Os economistas mais otimistas arriscavam-se a projetar uma queda do PIB entre 12% e 13%.
De qualquer forma, a queda de 'apenas' 11% prometida pelo ministro da Economia será a maior da história da Argentina e seria duas vezes e meia superior à de 2001, que foi de 4,5%. Lavagna, no entanto, mostrou-se otimista e, no esboço que será encaminhado ao Fundo, sustentou que no ano que vem a economia argentina registrará um aumento de 3%. A economia do país está em declínio há quatro anos.
Os motivos para o otimismo demonstrado pela equipe econômica estão no desempenho do segundo trimestre deste ano, que indicaria uma queda de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. No Ministério da Economia, o clima é de celebração por este índice, já que o FMI previa que no segundo trimestre a queda interanual seria de 20,3%. Além disso, em relação ao primeiro trimestre de 2002, o segundo trimestre apresenta crescimento de 0,5%. A expectativa é que a tendência de redução da queda do PIB permaneça para o terceiro trimestre do ano.
Além de detalhar a carta de intenções, o governo busca saída na Justiça contra a avalanche de processos cujo objetivo é a liberação dos depósitos retidos dentro do 'corralito'.