CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 24 DE AGOSTO DE 2002
Tensão afeta saúde de rodoviário
Estresse é um das queixas dos motoristas profissionaisOs cerca de 10 mil rodoviários do transporte coletivo urbano de Porto Alegre sofrem de doenças como estresse, pressão alta e artrite por movimentos repetitivos. De acordo com a secretária geral do sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, Elaine D'Avila, o somatório destas enfermidades estão levando 4% da categoria a tratamentos para o alcoolismo. 'Outra ameaça para a categoria é a implantação de catracas eletrônicas', revelou. Dados do sindicato da categoria apontam que, ao serem colocadas em funcionamento, sete mil profissionais perderão os empregos, o que indiretamente influenciará na vida de 21 mil pessoas.
O diretor-presidente da EPTC, Luiz Carlos Bertotto, garantiu que nenhum emprego será perdido com a implantação do sistema de bilhetagem eletrônico nos 1.560 ônibus de transporte coletivo de Porto Alegre, a partir do próximo ano. 'Precisamos da figura do cobrados para operar as novas tecnologias dos ônibus, auxiliando o motorista e mantendo o controle dos cartões, que substituirão as fichas de vale transporte e escolares.' Segundo ele, cartões avulsos também serão vendidos, mas será possível continuar pagando a passagem em dinheiro para o cobrador. O investimento, que terá o projeto executivo finalizado em outubro, será de R$ 17 milhões, financiados pelo BNDES.
Baixar a jornada de trabalho para 6 horas é, para Elaine, o maior desejo dos rodoviários. No último dissídio, em fevereiro, o sindicato conseguiu reduzir em dez minutos a carga horária, que passou a ser 7h10min. A jornada de 6 horas de trabalho é um dos ítens que consta na proposta de projeto de lei do deputado federal Paulo Paim (PT), que pretende disciplinar a jornada de trabalho e a concessão adicional de benefícios como trabalho penoso, aposentadoria especial e seguro obrigatório aos motoristas e cobradores de ônibus do país.
O texto, apresentado no início de mês e que aguarda despacho da Mesa da Câmara dos Deputados para distribuição nas comissões técnicas, estabelece a existência de seguro contra acidentes de trabalho custeado pelo empregador. A inovação é a sugestão de um adicional de 30% do salário base por 'trabalho penoso' (condições de estresse, sofrimento físico e mental).