A MANUTENÇÃO DA TAXA DOS JUROS
O Comitê de Política Monetária decidiu manter a taxa Selic em 18% ao ano, indicando, contudo, tendência de baixa. Mais uma vez, a autoridade monetária reafirmou sua política conservadora, que vem sendo mantida há bastante tempo, contrariando a posição de produtores e industrialistas, francamente favoráveis a uma queda dos juros para afastar em definitivo a falta de investimento que se deve, também, ao fato de o mercado consumidor interno estar reprimido pela falta de crédito acessível às pessoas da classe média. O Banco Central, contudo, e acima de tudo, adota uma política que tem como objetivo prioritário evitar a perda do controle sobre a inflação. Sabe-se que este ano a inflação será ligeiramente superior à meta estabelecida, o que pode ser perfeitamente assimilável.
O comunicado expedido pelo Copom considera que 'as incertezas na economia aumentaram desde a última reunião do comitê; entretanto, fatos recentes reforçam a perspectiva de melhoria do cenário, confirmando-se a previsão de inflação para 2003, abaixo da meta'. Na opinião de bom número de analistas, o Banco Central evitou reduzir os juros, embora a situação assim o permitisse, ainda mais quando os quatro principais candidatos à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, José Serra e Anthony Garotinho, têm como comum em seus programas baixar os juros praticados no Brasil. Se o fizesse, poderia o governo ser acusado de, tomando a iniciativa, favorecer o candidato de sua preferência. Houve, também, o propósito de manter austeridade, diante do anúncio de que o ministro Pedro Malan, da Fazenda, e Armínio Fraga, presidente do Banco Central, têm agendado encontro, na próxima segunda-feira, nos Estados Unidos, com os grandes bancos internacionais.
Na reunião que terá lugar em Nova Iorque, Malan e Fraga vão procurar convencer os investidores e os banqueiros de que não há risco de perdas no Brasil. Desde a crise argentina, os grandes investidores e os mais importantes bancos internacionais temem que os prejuízos que sofreram na Argentina possam se repetir no Brasil. Demonstrar austeridade na condução da política econômica é, inegavelmente, importante para que os investidores voltem a apostar no Brasil.