PORTO ALEGRE, SÁBADO, 24 DE AGOSTO DE 2002

Flávio A. Gomes

FLAVIO


24 DE AGOSTO


1954. É meu plantão na redação do Correio do Povo, das 10 da noite até as 2 da madrugada. O ambiente está tenso. As notícias se precipitam, com a rádio Nacional transmitindo sucessivas edições extraordinárias do 'Repórter Esso'. Ora dizem que Getúlio Vargas vai resistir, ora que será deposto. Por três vezes mando parar a rotativa e mudo a manchete de capa. Àquela altura já chamei à redação o Breno Caldas e o Arlindo Pasqualini. Agrupamo-nos junto ao rádio e ao teletipo. Fumamos pesado. Às 4 da manhã, ordenamos a última rodagem. Manchete: 'O presidente Vargas concorda em licenciar-se e vai para São Borja'. Pasqualini decide tirar uma edição extra da Folha da Tarde. Clareia o dia. Na rádio, música. No teletipo, nada. De repente, a característica do 'Esso' e a voz grave e embargada do Heron Domingues: 'O presidente Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração!'. Baixo a cabeça sobre o teclado da máquina de escrever e choro.


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