VELHO COMPUTADOR
Colegas e amigos têm elogiado a minha memória quando cito alguém ou lembro alguma passagem da história. Modesto, baixo os olhos e digo que é bondade deles, etc. e tal. A rigor, não acho essas lembranças grande coisa, principalmente para quem, como eu, passa os dias lendo e anotando. Dia desses, porém, gostei do meu computador mental. Estava num supermercado quando um senhor, aparentando a minha idade, chegou-se para mim e disse: 'Eu sou o Peres, do Bom Fim'. Imediatamente um clarão iluminou-me e, sem hesitar, respondi-lhe: 'Peres, Bruno, comer!...'. E apontei-lhe o dedo: 'Tu és o Peres, irmão do Bruno, meu companheiro de moleque. Vocês moravam na Vasco da Gama e o quintal da tua casa dava para o nosso. 'Peres, Bruno, comer!...' Era assim que a mãe de vocês os chamava ao meio-dia para o almoço'. De fato, era ele, que eu não via desde os anos 30. O chamado da mãe judia, passados 70 anos, ainda ecoava em minha mente...