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VITÓRIA NA PRESSÃO

O Inter entrou em campo sabedor dos resultados de Palmeiras e São Paulo. O primeiro ganhou, sábado, do Barueri, com ajuda do árbitro. Obina escorregou na área e o juiz deu pênalti. O segundo virou o jogo, ontem, contra o Cruzeiro, que jogou melhor, mas não levou.
Pressionado pelos resultados, o Inter fez 2 a 0. Sofreu, pois teve Índio expulso aos 43 minutos iniciais e Bolívar aos 39 minutos do segundo. Ninguém esperava moleza: o Avaí vinha de cinco vitórias em casa.
O Inter dá sinais de ter encontrado seu melhor futebol num momento crucial do Brasileiro. Os titulares estão bem e os reservas, quando entram, correspondem. Magrão está jogando muito, assim como Kleber, Giuliano, Fabiano Eller, Guiñazu, Lauro....
Hoje, e amanhã será outro dia, Palmeiras, Inter e São Paulo aparecem como os maiores favoritos ao título. Estou dizendo uma obviedade, mas as obviedades estão aí para serem escritas.
Com os três pontos de ontem o Inter já livrou seis do quinto colocado, o Atlético-MG. Há muita água para rolar. Em tempo: ninguém ganhou mais do que o Inter até agora: 13 vitórias. Nem marcou tantos gols, 45.

LUIS GONÇALVES / CP MEMÓRIA
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AUTUORI ERROU

Depois de trocar Jonas por Makelele contra o Botafogo, revivendo os piores tempos de Celso Roth, Autuori conseguiu, no sábado, a façanha de escalar Douglas Costa, deixando no banco o capitão Tcheco. Não sei o que foi pior: a escalação ou as explicações dos dirigentes. Pelas explicações, o Grêmio tinha a obrigação de promover algum tipo de mudança para sair desta posição chove não molha na tabela. O Grêmio só está nesta posição porque, até sábado, contra o modesto Vitória, aparecia com 87% de aproveitamento em casa. Não fosse isto, estaria entre os rebaixados. Dos 11 jogos no Olímpico, havia vencido nove e empatado dois. Dos 11 jogos no Olímpico, Tcheco havia participado de dez. Ou seja, Autuori tirou o fiador da estupenda campanha em casa para colocar em campo um garoto que, se não foi mal no sábado, até hoje não provou ser o que a direção do Grêmio pensa que é, um fora de série. Tcheco entrou aos 9 minutos do segundo tempo. O Grêmio já havia levado duas bolas no poste. Um minuto após a sua entrada, o Grêmio melhorou, escancarando ainda mais o tremendo equívoco de Autuori. Foi de Tcheco o passe para o gol de Jonas. O Grêmio perdeu dois pontos preciosos. E que não se culpe o time.

NÃO TEM PREÇO

Ainda peguei o tempo em que Brasil e Argentina faziam o maior clássico entre seleções do mundo. Hoje, não dá mais graça. Tocamos 3 a 1 em Rosario, com Maradona dirigindo e Messi com a 10. Não há dinheiro que pague ver Maradona roendo unha, perdidaço, como quem se pergunta 'que se pasa'? Também é impagável ler o sempre debochado jornal Olé escrevendo que o Brasil, nunca como antes, deu uma lição de hierarquia, capacidade tática e jogo coletivo. Dunga está aprendendo o ofício de treinador à frente da Seleção e já surge como o melhor técnico dos últimos tempos. Coisas do futebol. 'Tomo y obligo, mandese un trago/que hoy necesito el recuerdo matar...'. Quarta tem Paraguai x Argentina. 'Una noche tibia nos conocimos/Junto al lago azul de Ipacaray...'.

RETRUQUE

De João de Almeida Neto, sócio e conselheiro suplente do Grêmio em retruque ao artigo de Roberto Siegmann, publicado quase na íntegra ontem aqui mesmo e que está postado no site do Inter.
'É do Grêmio a maior torcida do Estado e do Sul do Brasil por tudo que dizem os institutos de pesquisas: 1) É comprovadamente maior a média de público conseguida pelo Grêmio; 2) É comprovadamente maior a arrecadação do Grêmio no concurso lotérico 'Timemania', em que as pessoas apostam no time para o qual torcem; 3) É notoriamente maior o número de camisas tricolores que desfilam pelas ruas da cidade e do mundo. Mas o Grêmio não concorda com o conceito enunciado pelo referido dirigente. Ao contrário, o rejeita e repudia, por considerá-lo elitista, discriminatório, preconceituoso e arrogante. O Grêmio quer, precisa e conclama sua torcida a se associar ao clube, vir ao Olímpico e comprar seus produtos oficiais. Mas não deixamos de ter como torcedor aqueles homens e mulheres humildes, assalariados ou pobres, que não têm condições financeiras para tanto. O poder aquisitivo não é condição para ser gremista, porque o Grêmio é o clube do povo do Rio Grande do Sul.'

hiltor@correiodopovo.com.br