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HILTOR MOMBACH / CP MEMORIA

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O DONO DA LUA

Esta de que o Grêmio comprou uma estrela para simbolizar a conquista do campeonato Mundial Interclubes me faz lembrar da Copa América de 1991, realizada no Chile. Era domingo em Viña del Mar. O companheiro Haroldo de Souza chamou minha atenção para uma reportagem de duas páginas num jornal chileno dando conta de que a Lua tinha dono. O título da matéria: 'el dueño de la Luna'. O proprietário chamava-se Jenaro Gajardo Vera e morava em Santo Domingo.
No dia seguinte, dirigindo um Subaru e com uma máquina fotográfica emprestada por Edison Vara, rumei para o pequeno balneário de Santo Domingo. Foi fácil localizar a casa de Jenaro, conhecido por todos como 'el dueño de la Luna'. Ali ouvi uma história fantástica.
Jenaro, advogado, pintor e poeta, nasceu em Traiguén, em 1919, e em 1951 mudou-se para Talca. Em 1954, viu seu nome ser rejeitado como sócio de um clube local. Motivo: ele não possuía bens materiais. Um dia depois de desfeita, foi ao cartório da cidade declarando-se dono da Lua. Exigiram três publicações no Diário Oficial e, como ninguém contestou, teve o pedido atendido. O assunto foi notícia no mundo.
Em 1969, quando os EUA se preparavam para viajar à Lua, Jenaro contratou o advogado Enrique Monti Forno, que obrigou os norte-americanos a solicitarem permissão para descer na propriedade do chileno. Jenaro faleceu em 1998 e, no seu testamento, consta. 'Dejó a mi pueblo la Luna, llena de amor por sus penas'.
Contei esta história no Correio do Povo. Logo depois, a revista Isto É publicaria: '... O fato teve tanta repercussão que o presidente americano Richard Nixon mandou de brincadeira o seguinte telegrama para Vera em 1969: ‘Em nome do povo dos Estados Unidos, solicito-lhe autorização para que os astronautas Aldrin, Collins e Armstrong desembarquem no satélite que lhe pertence’.' Quem revelou a existência de Vera a Isto É foi o jornalista gaúcho Hiltor Mombach, que o entrevistou em 1991. O assunto virou tema de debate nas faculdades de Direito. Jenaro podia ou não ser o dono da Lua? Para o próprio Jenaro (foto), isto era o de menos. Assim como o Grêmio agora, conseguiu seu intento. Virou notícia.

ARENA I

A construção da arena ainda vai dar o que falar. Trecho de e-mail: 'O contrato de construção da arena pode ser assinado apenas se os sócios tricolores mantiverem os direitos que têm no Olímpico. Essa foi a conclusão da primeira assembléia da Associação dos Gremistas Patrimoniais (AGP). Os 62 presentes debateram a atual proposta de contrato do Grêmio com a construtora OAS. A atual proposta de contrato não garante manter direitos iguais aos que os sócios patrimoniais, remidos e outros mantêm no Olímpico. Os presentes manifestaram interesse em pedir suspensão do contrato da Grêmio Empreendimentos com a construtora OAS até que os direitos de freqüentar a arena sejam garantidos aos patrimoniais, remidos...'. Detalhes em gremiopatrimonial.blogspot.com.

ARENA II

O Conselho do Grêmio debaterá a arena terça-feira. Quantos conselheiros conhecem a minuta do contrato Grêmio-OAS? Isto surge como fundamental. Um dos artigos diz: 'Durante o prazo de exploração da arena pela OAS Superficiária, o Grêmio terá direito a uma franquia anual no montante R$ 3 milhões para ser utilizada para o ingresso dos associados do Grêmio a jogos em que este tenha o mando de campo'. São R$ 250 mil mensais. Vai faltar lugar para os sócios. Mais: nenhum artigo da minuta contempla os patrimoniais e remidos, que estão reclamando. Por último: cresce o movimento de conselheiros para que o estádio Olímpico seja remodelado. Lembrando que poucos conselheiros leram a minuta do contrato com a ISL.

HILTOR@CORREIODOPOVO.COM.BR