Um
país de mistérios e exageros ganha radiografia literária
Tiaraju Brockstedt
Apesar de uma estréia pouco animadora no aeroporto de Teerã, a jornalista gaúcha Ivonete Pinto traça um painel bem humorado do país em seu livro 'Descobrinco o Irã', lançamento da Artes e Ofícios Editora. Gaúcha de Canela, mestre em Comunicação Social, a autora apresenta um livro de ensaios que dá ao leitor uma ampla perspectiva do potencial de um país para nós praticamente desconhecido. O Irã é descortinado ao leitor desde os primórdios da civilização persa, passando por todos os acontecimento que levaram à revolução islâmica de 1979, liderada pelo aiatolá Khomeini. Também é analisado o atual momento de transição do país, quando as formas mais moderadas já entraram em conflito com o clero radical em busca de mais liberdade e democracia.
Com coragem e bom humor, Ivonete circula por temas como trânsito, a guerra Irã-Iraque, o ramadã, Salman Ruishidie e a situação das mulheres que ainda vivem com seus negros chaladores. Ao descer no aeroporto, Ivonete, sob a mira de duas metralhadoras, foi obrigada a cobrir os cabelos, como todas as mulheres do país, e também teve que mostrar as mãos para os guardas revolucionários, que as examinaram cuidadosamente para ver se as unhas não estavam pintadas.
A autora procura retirar de sua narrativa todo o tradicional exagero
quando se fala ou se escreve sobre este misterioso e distante país
oriental e já prepara uma nova aventura. No ano 2000 embarca em
direção à Mongólia, tema, é claro, de
seu próximo livro.