CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 10 DE OUTUBRO DE 2003

Alimentos e tarifas puxam inflação
Taxa referência para metas do governo acumula em 2003 alta de 8,05% até setembro e 15,14% em 12 meses




14ALIMEN.jpg Aumento dos preços dos alimentos voltam a ser os vilões


Rio - A inflação medida pelo IPCA saltou para 0,78% em setembro ante 0,34% em agosto, pressionada pelos reajustes dos alimentos e de tarifas. O IPCA é o índice de referência para o regime de metas de inflação do governo e já acumula, no ano, até setembro, uma alta de 8,05% e, em 12 meses, de 15,14%. O número de setembro ficou acima do esperado por analistas econômicos (que estimavam teto de 0,77%), mas não deverá impedir nova queda da taxa básica de juros, a Selic. Já o INPC, que mede a inflação da camada de menor renda da população, ficou em 0,82% em setembro, ante 0,18% em agosto. O INPC ter sido mais alto do que o IPCA deve-se ao fato de os alimentos possuírem maior peso para a camada de baixa renda da população.

A maior pressão sobre o IPCA ficou por conta dos preços administrados, que elevaram em 0,78% o grupo de produtos não-alimentícios, que por sua vez contribuíram com 0,60 ponto percentual na inflação do mês. As altas mais importantes foram registradas no telefone fixo (2,45%), por causa dos reajustes de pulsos de telefonia local, e na taxa de água e esgoto (6,3%, devido a aumentos ocorridos no Rio e em São Paulo). A gasolina apresentou a segunda alta consecutiva no IPCA em setembro (1,27%), em razão do fim das promoções nos postos e dos reajustes no álcool anidro. No caso do álcool, o aumento foi de 7,83%, interrompendo um processo de queda iniciado em abril. A elevação nos preços dos produtos alimentícios (0,78%), sob impacto da entressafra, apresentou uma contribuição de 0,18 ponto percentual no IPCA.

Para a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o 'pulo' da taxa 'é puramente pontual e não significa descontrole da inflação ou alta generalizada de preços'. Segundo ela, as pressões sobre os preços em outubro serão menores do que as apuradas em setembro. O diagnóstico de que o aumento da inflação foi pontual e não apresenta ameaça de descontrole é compartilhado por outros economistas. Luiz Roberto Cunha, membro do conselho do Sistema de Índices de Preços do IBGE e economista da PUC-RJ, disse que a inflação não se constitui em problema a médio e longo prazo. Já o economista do Ibmec e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, considera a alta do IPCA como 'cem por cento sazonal'.

Outra taxa de inflação divulgada ontem - o IGP-DI, Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna - registrou 1,05% em setembro. Em agosto, a taxa foi de 0,62%. O Índice de Preços por Atacado aumentou de 0,70% em agosto para 1,29% em setembro e o Índice de Preços ao Consumidor passou para 0,76%.



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