CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 6 DE SETEMBRO DE 2005
Aquecimento global gera catástrofe
Pesquisadores explicam por que fenômenos como furacão e tornado começam a ocorrer no RS

Fenômenos como o furacão Catarina, que atingiu o RS e Santa Catarina em 2004, e o recente tornado registrado em Muitos Capões são sinais, segundo pesquisadores, do aquecimento global. As catástrofes desde os anos 90 superam em danos materiais e vítimas as quatro décadas anteriores no mundo, afirmou o professor do Instituto de Geociências da Ufrgs Rualdo Menegat. Coordenador do Atlas Ambiental de Porto Alegre, ele disse que o Sul do país está na área de maior ocorrência de ventos fortes. “A tendência é, com o aquecimento global, esses fenômenos continuarem aumentando nos próximos anos.”
 O aquecimento global resulta da emissão de gases estufas em grande quantidade na atmosfera, principalmente do carbônico e do metano, ganhando força nos últimos 50 anos. Os gases elevaram a temperatura em 0,6 grau, em média, por metro quadrado da superfície terrestre – o suficiente para gerar alterações climáticas importantes. Outro fator que leva a desastres naturais são os curtos períodos entre situações de seca e inundações. O professor Menegat salientou que a falta de cultura de enfrentamento de fenômenos como tornados e furacões faz com que os brasileiros estejam em desvantagem. “Os Estados Unidos se desenvolveram enfrentando furacões, mas nós estamos passando por uma realidade diferente pela primeira vez. Quem mais sofre são as pessoas mais humildes”, ressaltou.
 Para Francisco de Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda falta comprovação de que a maior incidência e violência dos fenômenos tenham relação com o aquecimento global ou as mudanças climáticas. Disse que pode haver ligação, o que explicaria os invernos com temperaturas altas, verões mais quentes, secas, temporais e tornados. “Nos últimos seis anos não tivemos inverno com muito frio. Isso favorece temporais e fenômenos mais fortes”, ponderou.
 O meteorologista destacou que o país vive momentos de contraste e citou o começo do ano passado quando o RS enfrentava estiagem e a região Nordeste convivia com as enchentes. Diniz prevê que situações como as registradas semana passada no Estado, com temporais e estragos em diversos municípios, deverão se repetir em setembro, que será marcado por chuvas fortes e temporais.


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