Fenômenos como o furacão
Catarina, que atingiu o RS e Santa Catarina em 2004, e o recente tornado
registrado em Muitos Capões são sinais, segundo pesquisadores,
do aquecimento global. As catástrofes desde os anos 90 superam em
danos materiais e vítimas as quatro décadas anteriores no
mundo, afirmou o professor do Instituto de Geociências da Ufrgs Rualdo
Menegat. Coordenador do Atlas Ambiental de Porto Alegre, ele disse que
o Sul do país está na área de maior ocorrência
de ventos fortes. “A tendência é, com o aquecimento global,
esses fenômenos continuarem aumentando nos próximos anos.”
O aquecimento global
resulta da emissão de gases estufas em grande quantidade na atmosfera,
principalmente do carbônico e do metano, ganhando força nos
últimos 50 anos. Os gases elevaram a temperatura em 0,6 grau, em
média, por metro quadrado da superfície terrestre – o suficiente
para gerar alterações climáticas importantes. Outro
fator que leva a desastres naturais são os curtos períodos
entre situações de seca e inundações. O professor
Menegat salientou que a falta de cultura de enfrentamento de fenômenos
como tornados e furacões faz com que os brasileiros estejam em desvantagem.
“Os Estados Unidos se desenvolveram enfrentando furacões, mas nós
estamos passando por uma realidade diferente pela primeira vez. Quem mais
sofre são as pessoas mais humildes”, ressaltou.
Para Francisco de
Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda falta
comprovação de que a maior incidência e violência
dos fenômenos tenham relação com o aquecimento global
ou as mudanças climáticas. Disse que pode haver ligação,
o que explicaria os invernos com temperaturas altas, verões mais
quentes, secas, temporais e tornados. “Nos últimos seis anos não
tivemos inverno com muito frio. Isso favorece temporais e fenômenos
mais fortes”, ponderou.
O meteorologista destacou
que o país vive momentos de contraste e citou o começo do
ano passado quando o RS enfrentava estiagem e a região Nordeste
convivia com as enchentes. Diniz prevê que situações
como as registradas semana passada no Estado, com temporais e estragos
em diversos municípios, deverão se repetir em setembro, que
será marcado por chuvas fortes e temporais.