CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO DE 2007
Governo avalia afastamento de ministro das Minas e Energia
STJ começou a ouvir depoimentos dos detidos pela Polícia Federal na Operação NavalhaO ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, deve ser afastado do cargo hoje. No Palácio do Planalto, nessa segunda-feira, falava-se em demissão pura e simples. Entre os padrinhos políticos da indicação de Rondeau para o ministério - o principal deles é o senador José Sarney - havia ainda a busca de uma saída, segundo a qual o ministro pediria licença até que todos os fatos sejam apurados. Orientado por Sarney, ele teria pedido o afastamento do cargo ontem, durante conversa de 30 minutos com o presidente da República, em Assunção, no Paraguai.
O seu futuro será decidido em audiência com Lula nesta terça-feira, quando serão avaliados os desdobramentos políticos das revelações contidas no relatório da Operação Navalha, da Polícia Federal. O documento acusa Rondeau de ter recebido propina de R$ 100 mil da Gautama, empreiteira que operava o esquema de desvio de verbas públicas.
Ontem, no Paraguai, o ministro negou o envolvimento com a construtora de Zuleido Veras. Além de afirmar que nada será provado contra ele, disse que determinou a abertura de um processo administrativo no ministério para apurar as denúncias. O presidente Lula disse que só falaria sobre o caso quando retornasse ao Brasil.
A assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia convocou a imprensa para uma visita às instalações do gabinete de Rondeau ontem. Os assessores tentavam mostrar que a porta que dá acesso ao gabinete do ministro também acessa a outras sete salas, inclusive a do ex-assessor especial Ivo Almeida, preso na semana passada.
Ainda ontem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, confirmou a informação de que integrantes da Gautama levaram dinheiro para o Ministério de Minas e Energia. Ele também disse que há uma lista de pessoas que receberam 'mimos' da construtora. Além da investigação da PF, o Ministério Público Federal apura denúncias de favorecimento da empreiteira e o suposto envolvimento do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, em favor da pavimentação da BR 319, no Amazonas.
A ministra Eliana Calmon, do STJ, começou a ouvir ontem os depoimentos e a libertar os investigados. Dos 48 detidos inicialmente, já foram soltos dez. A Polícia Federal prepara nova leva de pedidos de prisões e indiciamentos.